Poem

Poem

ENOUGH

It is enough for me by day
To walk the same bright earth with him;
Enough that over us by night
The same great roof of stars is dim.

I have no care to bind the wind
Or set a fetter on the sea–
It is enough to feel his love
Blow like music over me.

-Sara Teasdale

:S

:S

acho que meu grande defeito, aquele que causa todos os outros, é essa minha mania de me prender sempre aos detalhes. por mais fútil que seja o assunto, minha mente se direciona ao detalhe e fica presa ali, perdendo a visão do mundo, a visão “normal” do que tá acontecendo. eu to começando a questionar minha própria abilidade de me manter em controle quando o assunto é esse, acredito que em mim há coisas que eu nao posso controlar e, poxa, deveria. se eu nao tivesse essa mania de me conter aos detalhes, talvez eu nao ficasse nervosa com tanta frequencia. talvez eu nao tivesse gastrite. talvez meu corpo estivesse apto a aguentar bem mais do que ele aguenta hoje.
talvez minha mente estivesse bem mais segura durante o dia-a-dia, e eu nao pensaria tanto em coisas que eu tenho quase certeza que ainda não aconteceram.
é. meu grande defeito é esse e tá estampado na minha cara. estou brava comigo mesma, logo eu, que sempre me controlei, estou aqui, estourando meus limites e sofrendo por isso.

é..

Enivrez-vous!

Enivrez-vous!

Esse ano foi maravilhoso. Parece que toda aquela ladainha de carma realmente funcionou dessa vez, e me deu toda a alegria que eu nao tive no passado.

De uma forma bem distorcida, eu consigo ver cada ponto negativo dele como algo positivo, muito positivo. Eu sei que de certa forma meu sofrimento e minhas dores foram muitas, ou melhor, muito intensas, mas 2007 inteiro me dá cerca de mil razões para crer que esses sofrimentos estão em segundo, quarto, décimo plano. Como sempre, aprendi. Sobre meus limites, sobre as pessoas, sobre comportamentos e sofrimentos, mas nada disso me faz querer elaborá-los. Aprendi que nada na vida é para sempre e que a hora vai chegar. Hora de quê? De qualquer coisa. Nesse momento, chegou a hora de deixar minha infância, minha adolescencia aborrecente, minhas idéias e meus atos incautos para trás. Agora chegou a hora de seguir em um ano que vai determinar o meu futuro.

Seguir esse caminho pode ser cansativo, e eu já percebi que a tensão será gigante. Acho que sei o que esperar: Primeiro, muitas aulas. Aulas daquelas que parece que nunca vão acabar. Segundo, desvio mental. Ninguém consegue ter aulas 6 dias por semana e ainda conseguir sair com os amigos, que é basicamente tudo o que minha mente está pensando nesse momento. Terceiro, dúvidas. Vou duvidar de mim até não poder mais, vou me pegar pensando durante o dia sobre como eu vou conseguir ou fazer certas coisas. Mas vou lidar com isso, vou passar por cima, vou estar ávida para isso, tudo por causa da Maturidade, o Quarto desta lista. Que ela me encorpore, me envolva, me abrace e me prenda, para nunca mais sair. É com ela ao meu redor que eu vou conseguir ser a mulher que eu tanto sonhei ser quando pequena. E quinto: stress. Stress, stress e stress, miil vezes o stress. Vou virar amiga do stress, vou ser sua cúmplice, sua amante. Vou dormir com ele e acordar com ele, para passar o dia inteiro pensando nele. Pode parecer meio atroz, mas é a realidade, e acho que meu corpo e mente estão crescidinhos o suficiente para escutar a realidade.

Acho que esses cinco pontos do ano de 2008 me fazem ter uma visão meio inócua do que ele será. Eu sei o que vou pensar, sentir e querer, e também sei como vou agir, reagir ou imaginar. Mas acontece que isso não me parece suficiente. Acredito que a vida me cega para os pontos mais importantes, como uma noite qualquer decidindo o meu futuro antes de dormir, ou a angústia de fazer uma prova e não saber o resultado. E serão esses pontos que realmente vão fazer a diferença. Mas não sou masoquista, não gosto de sofrer por antecedência, então deixo esses momentos passarem, deixo-os para depois, eu confio em mim e acredito que nada irá me desviar desse caminho que desejo seguir.

Acho também que 2008 vai ser o ano onde as coisas vão tomar lugar, onde o tempo passando rápido vai ser normal, onde passar horas conversando sobre literatura, política ou biologia será agradável. Acredito que minha vontade de ser a melhor, a vontade de me surpreender, aquela sensação de auto-realização, tudo isso vai se revelar, pela primeira vez, nesse ano de 2008. E a primeira vez a gente nunca esquece.

Então, querido 2008, peço que me deixe pasma com todo o meu conhecimento, todo o meu sucesso, todo o meu sofrimento e toda a minha alegria. Espero que você faça jus ao que eu já tenho em mente, mas também espero que você se torne o mar leviano, o qual de uma hora para outra me engole com uma onda e me permite voltar a superfície com ainda mais vontade de viver. Espero que você me ensine, me mostre, me demonstre, me peça, me qualifique, me dê os meios, me mostre o caminho. Estou confiando em você para me moldar, me deixar melhor, mais matura, mais responsável, mais mulher.

Resumidamente: Eu nao tenho uma visão ruim do ano que está por vir. Mas também nao tenho uma visão boa. Estou neutra até então, pensando que nas horas ruins, eu irei me virar, e nas boas, comemorar. Por esse e muitos outros motivos, nada melhor do que fabuloso Charles Baudelaire para o motto desse ano:

Enivrez-Vous

Il faut être toujours ivre.
Tout est là:
c’est l’unique question.
Pour ne pas sentir
l’horrible fardeau du Temps
qui brise vos épaules
et vous penche vers la terre,
il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi?
De vin, de poésie, ou de vertu, à votre guise.
Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois,
sur les marches d’un palais,
sur l’herbe verte d’un fossé,
dans la solitude morne de votre chambre,
vous vous réveillez,
l’ivresse déjà diminuée ou disparue,
demandez au vent,
à la vague,
à l’étoile,
à l’oiseau,
à l’horloge,
à tout ce qui fuit,
à tout ce qui gémit,
à tout ce qui roule,
à tout ce qui chante,
à tout ce qui parle,
demandez quelle heure il est;
et le vent,
la vague,
l’étoile,
l’oiseau,
l’horloge,
vous répondront:
“Il est l’heure de s’enivrer!
Pour n’être pas les esclaves martyrisés du Temps,
enivrez-vous;
enivrez-vous sans cesse!
De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise.”

and there is nothing left to do
but to kiss once again, and part
nay, there is nothing we should rue,
i have my beauty – you, your art,
nay, do not start.
one world was not enough for two
like me and you.

(Oscar Wilde)

pois então acho que já era, né. minha mente mudou, ou ao menos está começando a mudar, e não há nada (nem ninguém, pelo visto) que vai tentar mudar o caminho das coisas, para aquele que eu tentei seguir por tanto tempo. acho que minhas palavras valem muito para mim, e muito pouco para aqueles a quem as direciono. preciso escolher com mais cuidado não só as palavras, como as pessoas. a partir de agora escreverei pouco, ou melhor, escreverei com pouco significado. como há pessoas que tendem não entender o espírito e o impacto de cada frase em minha vida e meus sentimentos, e por consequencia, em suas próprias vidas.

e, por mais que me machuque e me corroe, ainda há esperanças. uma esperança fina e fraca, que nao depende de mim. que nao PODE depender de mim.

feels right! (:

feels right! (:

parece que estou vivendo outra vida, parece que minha respiração está completamente diferente. parece que eu estou sendo outra pessoa. qualquer coisa que eu faço ou falo parece vinda de um estranho e mesmo assim me faz tão bem. parece que tudo em minha volta está mudando e mesmo assim eu sei que vai ficar tudo igual. aquela sensação do desconhecido, de não saber o que esperar, de não ter nem idéia do que vai fazer durante o dia e mesmo assim saber que vai ser o MELHOR possível, são essas coisas e sensações que me fizeram entender que amar, só por amar, não faz sentido e não vale a pena.

não quero amar, porque só amar é algo tão fútil e dispensável que não vale a pena querer. eu quero amar a VIDA, amar o AR, amar a NATUREZA e amar CADA vez que eu sorrio de uma forma diferente. AMAR com cada milímetro do meu ser tudo que eu faço e falo, e todos os caminhos que eu cruzo. quero perceber que AMAR TUDO é algo muito mais vivo do que amar alguém ou alguma situação em particular. quero ver em cada prédio, em cada rua, em cada cidade, uma assinatura minha, uma lembrança de alguma tarde, algum dia maravilhoso, alguma pessoa que eu já conheci ou até mesmo alguem que eu odiava. quero rir, de tudo, sem motivo, por nada em particular. porque só assim tudo parece simples.

e é simples. a realidade é bem simples: viva sua vida SEMPRE, sem esquecer que o futuro depende do seu presente. NADA mais gostoso como olhar para frente e perceber que você vai ter TUDO que sempre quis e ainda um pouco mais. nada mais gratificante quanto perceber que se sua vida acabasse aqui, nesse instante, você ficaria muito feliz, por saber que aproveitou tudo com a maior felicidade do mundo!

(eu sei que esse blog está extremamente pra cima nesses dias e provavelmente está ficando enjoativo só de ler os títulos dos posts, mas julho é um mês extremamente especial pra mim! e eu prometo que se um dia eu ter motivos para ficar meio down, eu posto aqui cada pensamento ridículo que eu tiver. só não esperem que eu não o delete logo depois e coloque um post super animado no lugar :x ser adolescente é tudo!)

daquelas histórias com começo irrelevante e fim incerto:

daquelas histórias com começo irrelevante e fim incerto:

deitada na cama, com as cobertas até o pescoço, ela descansava. quem visse até diria que ela estava em paz, calma, até mesmo feliz. ela acordou com um sorriso bobo, mesmo que não tivesse aberto os olhos, como se essa noite fosse a melhor de sua vida. faziam dias que ela acordava assim. tendo sua mente notando isso, virou de barriga para cima e começou a pensar no que havia acontecido no dia anterior. branco total. se lembrou então do seu amor, de como ele acordava ela com um sussurro. esperou, em vão, esse sussurro antes de abrir os olhos.

alguns minutos depois, se lembrou. ele não estava ali. faziam dias que ele não estava ali para acordá-la, muito menos para fazer companhia. ele saíra de sua vida como se tal ação fosse tão mundana quanto o voo de uma borboleta. o sorriso foi se esvaindo e ela não estava mais em paz. abriu os olhos. tudo veio em sua mente. os problemas, as brigas, os ressentimentos e a vontade enorme de ter feito tudo de forma diferente. se lembrou também dos litros de bebida alcoolica que havia ingerido no dia anterior, e isso a fez notar a violenta dor de cabeça, mas não se incomodou. sabia que havia feito isso por muitos dias, então a dor se tornara um costume, se não a tivesse, estaria preocupada.

criando coragem para sair da cama, viu que tudo a sua volta gritava o nome daquele que foi um dia o mais importante para ela. ela conseguia ver as expressões de desprezo que todos os objetos tinham em relação à ela, pedindo urgentemente a presença dele. se olhou no espelho como um lamento. ela era linda, divertida, extrovertida, seu melhor passatempo era ir para as baladas, tudo isso se foi, deixando-a com a imagem de uma garota derrotada e cansada, que desistira de se aventurar, de falar alto com alguém ou de amar alguma pessoa que não fosse de sua família. “sou ridícula” ela pensava, “se ele estivesse aqui, com certeza estaria ouvindo palavras e palavras de incentivo”. lá estava ela de novo, pensando nele. “ele NÃO está aqui e ele NÃO vai vir. pare de pensar nisso” era sempre sua reação automática para aqueles pensamentos.

se dirigiu para a cozinha, a fim de tomar algum remédio para a dor de cabeça. reparou que a casa estava um lixo, com roupas espalhadas pelo chão e garrafas de bebidas jogadas ao chão como brinquedos de uma criança que teve preguiça de guardá-los. o ar estava pesado e ela sabia que o mesmo estava mostrando para ela que tudo é diferente quando ele não está por perto, e que não voltará nunca a ser. ela podia sentir cada molécula de oxigênio passeando no contorno de seu corpo conforme ela andava, rindo de sua cara, sentindo desprezo, dificultando cada pensando bom de penetrar em sua pele. chegando na cozinha, viu que os remédios de ressaca eram inexistentes, já havia duas caixas vazias. ótimo, nada poderia ficar melhor. o dia estava lindo, as crianças estavam lá fora brincando, o sol estava chamando todos para uma festa na piscina e tudo isso parecia encorajá-la a ficar na cama e nunca mais acordar. queria dormir para sonhar com ele, para ter a esperança de acordar com o sussurro, e talvez esse sussurro a fizesse mudar o rumo de sua vida atual.

“quero viver você”

ela escutou o sussurro. pensou que estava imaginando coisas mas sentiu uma mão acariciando seu ombro como quem diz “tudo isso passa”. assustada, ficou paralisada, não sabia o que fazer. a esperança de tê-lo atras de si, reconfortando-a, era tão grande que ela não queria deixar esse momento nunca. queria parar a vida, e ficar ali, escutando coisas que não devia e sentindo coisas que não existiam.  depois de alguns minutos, a única coisa que sua mente conseguiu elaborar foi “ele está aqui, comigo.”

“sempre.”

foi um sussurro leve, entorpecente, longo e calmante, que a fez estremecer. “ele lê a minha mente. ele está aqui. ele sabe!”. animada, ela se virou para vê-lo. nada a fez mais triste que o momento em que contemplou, calmamente, a parede de sua cozinha. nada disso era verdade. ela teria que viver sem ele, sem uma ajuda qualquer, sem um sorriso qualquer. estaria no desespero por muitas semanas ainda e vá deus saber quando voltaria a trabalhar. além disso, estava um lixo, de ressaca todos os dias, e nunca se sentira tão humilhada e desapontada em sua vida. sua mente estava a mil, pensando em todas as coisas ruins que ela teria que enfrentar. todo mundo faz isso, todo mundo se vê na pior situação algumas vezes. foi quando chegou nesse pensamento que escutou, novamente:

“tudo muda..”

e o ar ficou mais leve, deixando para ela sentir apenas os seus sentimentos emergindo novamente.

whaaatever

whaaatever

aos 10 anos, enquanto todo mundo tava se preocupando com o que ia acontecer na escola aquele dia, eu tava pensando na vida. o que eu ia fazer quando ficasse maior? eu ia poder sair de casa sozinha que nem minha irmã? morar sozinha? ter meu quarto SÓ meu, sem ter alguém entrando nele todo dia, toda hora, me consumindo o pouco tempo que eu tinha de solidão? meus pensamentos sempre foram meio que voltados pra liberdade física. minha infância não foi boa, mas eu nao culpo meus pais por isso, culpo a mim mesma, que pus em minha cabeça que estar crescida e ter responsabilidades era dez vezes melhor do que ficar rindo timidamente porque alguém mencionou gostar de algum garoto.  achava que a liberdade maior seria morar sozinha, ter MEU espaço, MEU dia, MINHA opinião sobre alguém ou alguma coisa.

cinco anos depois aqui estou eu, doente de tanto me stressar com as responsabilidades que eu me dei o direito (e talvez a obrigação) de entender e realizar todos os dias, todas as horas, até mesmo durante o sono, porque era um meio de conseguir essa liberdade. sigilosamente, fui seguindo esses cinco anos com uma habilidade imensa de mentir às pessoas de minha idade que eu era que nem elas, que eu era tão descolada e avoada quanto elas. fingia com perfeição que eu me importava MESMO quando algum menino dava um fora em uma amiga e ela achava que era o fim da vida dela. minhas entranhas gritavam em minha mente “fala pra ela, fala pra ela que a vida é bem mais que isso, que ela é idiota, que ela nao tem noção da imensidão de tudo”.

como eu fui estúpida.

você chega aos 15 anos com tal confusão em sua mente que é quase insuportável. num dia você está feliz, mas no outro parece que sua vida tá no fim. todo mundo é assim aos 15 anos. eu era assim aos 12. agora, aos 15, enquanto todo mundo esta criando um senso de responsabilidade, eu estou tentando desesperadamente achar a minha irresponsabilidade, aquelas horas em que eu possa ser eu mesma, sem me importar com as consequencias. busco agora a minha liberdade mental. e eu consegui, em parte. ainda quero viajar para o exterior, ainda quero morar lá, ainda quero tirar notas PERFEITAS (ótimas são tão deprimentes) e ainda sinto a necessidade de me cobrar mais do que meus próprios pais. mas eu aprendi, em apenas 4 meses, que essa liberdade que eu tanto procuro nao se encontra nas coisas mais importantes da vida, mas sim nas mais simples. um olhar, um sorriso.

agora eu sinto a necessidade de ser eu mesma, de ficar tonta de tanto dançar, de ter dores no corpo inteiro de tanto rir com as amigas numa balada qualquer por aí. não me importo tanto com a escola, não quero tanto ser perfeita em tudo, de vez em quando isso enjoa. quero me sentir confusa, me sentir impossível, me sentir a mais feliz de todas, fazer planinhos mirabolantes com as amigas, ir no cinema e ficar conversando, ligar pra alguém só pra dizer “oi”, ler um livro só porque ele me faz sorrir e desejar que tudo aquilo fosse comigo.

minha mente funciona de formas desconhecidas, mas eu vou ficar bem. tenho você e as amigas do meu lado, nada melhor do que isso.