pessoas são só pessoas. só que você é pessoa transparente às vezes; pessoa que vai encostando bem leve a cabeça no nosso ombro nas horas ruins daí as horas ruins vão se transformando em minutos ruins, depois só segundos, e, de repente, já é tempo de cantarolar outra vez. você vai transpondo as coisas delicadamente e deixa sua marca nelas – marca prateada e cintilante, como rastros de estrelas que passeiam entre as galáxias e que são reconhecíveis a qualquer distância. e eu aqui, tropeçando no próprio pé. com você entendi finalmente o que é possuir um interior cuidado e desprendido. seu sangue é feito de alguma espécie de agua doce e mansa, que te equilibra sobre qualquer coisa que ouse se movimentar debaixo dos seus pés. quem dera parar de pisar em falso, aprender a desviar, a desaparecer e ressurgir tão alta e em seguida calma, como a maré. seus olhos tem a cor da sua presença. e a sua presença existe, mesmo ausente, mesmo distante.

— i have so often dreamed of you that you became unreal (R Desnos)