não faz sentido!

não faz sentido!

Às vezes a vida nao faz sentido. Essa é a única conclusão a que consegui chegar depois de 16 anos de existência. Não tem exatamente um único aspecto ao qual me refiro, mas à vida como um todo, cada momento, cada segundo, cada palavra que proferimos. Tudo isso está numa seqüência de fatos que estão colocados de forma aleatória em toda essa bagunça que nós chamamos de mundo. Pode parecer uma visão negativa disso tudo, mas é a realidade. A gente só nao quer prestar atenção nisso.

Eu passei as últimas semanas (ou meses, tanto faz), tentando estabelecer alguma idéia concreta do que que me faz bem em todo esse processo de aleatoriedade que Deus nos deu (perceba a ironia). Eu me machuquei, talvez bastante, talvez não, porque eu descobri a fonte de toooodos os meus problemas: eu mesma. Tá, na verdade a fonte disso tudo são alguns de meus pensamentos, aqueles que vêm a tona durante a noite, quando o dia foi péssimo e meus olhos não se aguentam por se machucarem cada vez mais ao verem a realidade por tanto tempo. Passando essa fase de reconhecimento da fonte, eu chego ao estágio mais difícil de seja-lá-o-que-for-isso: decidir o que fazer. Obviamente, como eu tive um tempinho livre nesse final de semana pra pensar em cada coisinha, venho já com a resposta: Eu quero mudar.

Nããão! Não quero mudar como pessoa, quero mudar o ambiente, as condições, a minha liberdade. Afinal, liberdade só é liberdade conforme nós a ditamos. E a minha já está atingindo a validade. Quero uma mudança radical no ambiente que me cerca, nas pessoas que me ajudam, nas regras de todo esse jogo. Acredito que todo mundo quer isso, por mais que seja no subconsciente. É a realidade, eu não tenho culpa. Nós vivemos, mudamos, sonhamos e desejamos simplesmente por uma ânsia. Ânsia de dar uma chacoalhada no mundo como a gente conhece e girar tudo até ficarmos tontos e loucos, ao ponto de ver apenas as coisas que estão no nosso foco. Visão seletiva, sabe como?

É estúpido, isso tudo. Eu sei que é. Mas seres humanos estão andando pelo mundo simplesmente pra serem estúpidos. Afinal, o máximo que conseguimos atingir nesse mundo é uma taxa ridícula de qualidade de vida, outra taxa monstruosa de violência, sem contar na ganância nata que vínhamos instituindo por anos em nossas crianças. Mas ok, eu sei, me distraí um pouco do assunto (ninguém quer mesmo ouvir todo esse discurso de esquerda, simplesmente porque é o espelho de quem realmente são) e eu volto ao meu assunto: nós preferimos o confuso, o borrão da realidade, porque não nos sentimos seguros ao ver que tudo que está ao redor é consequência de nossos atos. Tudo. Inclusive as coisas más. Ninguém quer vir ao mundo, passar por uma situação difícil, e ainda ouvir de todas as pessoas que a causa desses problemas foi ele mesmo. É hipócrita demais, não acha? (de novo repare na ironia).

Sem dúvida alguma um dia eu vou ler isso tudo e contestar cada linha de uma forma diferente, mas hoje, nessa hora, nesses 20 minutos que me custaram pra digitar isso tudo, a minha visão de mundo é essa. Pode concluir que estou irada com o mundo, porque de certa forma eu estou mesmo. Não entendo porque a minha liberdade nao pode ser minha ao invéz de ter todos meus amigos e família interferindo naquilo que supostamente é meu, e eu definitivamente não entendo como e porque a minha mente funciona do jeito que funciona. Um dia ainda serei cobaia de algum experimento para apagar algumas memórias ou verdades do nosso conhecimento. É, sou sem vergonha mesmo, não vejo problema algum em fechar os olhos e ver o mundo explodir (por sinal, é tudo que eu queria fazer agora). E vocês reclamam do que? Melhor fechar os olhos do que ficar olhando e rir. Porque eu tenho certeza que nesse momento, é só isso que vocês estão fazendo..

oh..

oh..

é, eu nao entendo. sempre tive, durante grande parte da minha vida, aquela certeza silenciosa de que eu sabia alguma coisa, que eu sabia sem dúvida alguma o que eu queria ou como eu ia conseguir tudo para o meu futuro. mas agora, as vezes, tenho a impressão de cada vez mais não saber nada. cada minuto que passa leva consigo a marca de uma certeza que já não existe mais em mim, que eu já não lembro de ter pensado ou levado a sério.

hoje foi a marca, talvez a pior de todas, das mudanças que você causou em mim. você me deixou em tal estado de caos que agora apenas você faz sentido. o resto gira, se mistura, deixando minha mente e minhas vontades em constante centrifugação. ontem eu queria você. hoje eu já não sei mais. você tirou de mim parte do meu auto-controle e, agora, eu não sei mais o que fazer ou pensar. ao seu lado, meus atos são sempre superficiais, sempre pensados e calculados. o que aconteceu com aquela parte de mim que suplicava pela vida, pelo espontâneo, pelas atitudes pequenas, pelos momentos insubstituíveis? o que acontece comigo agora? não vou viver do passado, não posso tentar reaver aquela parte de mim, mas o que eu faço daqui pra frente? meus olhos se mantêm fechados pela falta de coesão, pela tontura que me causa ver esse borrão de acontecimentos e pensamentos que você me faz ter. Não. Eu não sei o que fazer..