whaaatever

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aos 10 anos, enquanto todo mundo tava se preocupando com o que ia acontecer na escola aquele dia, eu tava pensando na vida. o que eu ia fazer quando ficasse maior? eu ia poder sair de casa sozinha que nem minha irmã? morar sozinha? ter meu quarto SÓ meu, sem ter alguém entrando nele todo dia, toda hora, me consumindo o pouco tempo que eu tinha de solidão? meus pensamentos sempre foram meio que voltados pra liberdade física. minha infância não foi boa, mas eu nao culpo meus pais por isso, culpo a mim mesma, que pus em minha cabeça que estar crescida e ter responsabilidades era dez vezes melhor do que ficar rindo timidamente porque alguém mencionou gostar de algum garoto.  achava que a liberdade maior seria morar sozinha, ter MEU espaço, MEU dia, MINHA opinião sobre alguém ou alguma coisa.

cinco anos depois aqui estou eu, doente de tanto me stressar com as responsabilidades que eu me dei o direito (e talvez a obrigação) de entender e realizar todos os dias, todas as horas, até mesmo durante o sono, porque era um meio de conseguir essa liberdade. sigilosamente, fui seguindo esses cinco anos com uma habilidade imensa de mentir às pessoas de minha idade que eu era que nem elas, que eu era tão descolada e avoada quanto elas. fingia com perfeição que eu me importava MESMO quando algum menino dava um fora em uma amiga e ela achava que era o fim da vida dela. minhas entranhas gritavam em minha mente “fala pra ela, fala pra ela que a vida é bem mais que isso, que ela é idiota, que ela nao tem noção da imensidão de tudo”.

como eu fui estúpida.

você chega aos 15 anos com tal confusão em sua mente que é quase insuportável. num dia você está feliz, mas no outro parece que sua vida tá no fim. todo mundo é assim aos 15 anos. eu era assim aos 12. agora, aos 15, enquanto todo mundo esta criando um senso de responsabilidade, eu estou tentando desesperadamente achar a minha irresponsabilidade, aquelas horas em que eu possa ser eu mesma, sem me importar com as consequencias. busco agora a minha liberdade mental. e eu consegui, em parte. ainda quero viajar para o exterior, ainda quero morar lá, ainda quero tirar notas PERFEITAS (ótimas são tão deprimentes) e ainda sinto a necessidade de me cobrar mais do que meus próprios pais. mas eu aprendi, em apenas 4 meses, que essa liberdade que eu tanto procuro nao se encontra nas coisas mais importantes da vida, mas sim nas mais simples. um olhar, um sorriso.

agora eu sinto a necessidade de ser eu mesma, de ficar tonta de tanto dançar, de ter dores no corpo inteiro de tanto rir com as amigas numa balada qualquer por aí. não me importo tanto com a escola, não quero tanto ser perfeita em tudo, de vez em quando isso enjoa. quero me sentir confusa, me sentir impossível, me sentir a mais feliz de todas, fazer planinhos mirabolantes com as amigas, ir no cinema e ficar conversando, ligar pra alguém só pra dizer “oi”, ler um livro só porque ele me faz sorrir e desejar que tudo aquilo fosse comigo.

minha mente funciona de formas desconhecidas, mas eu vou ficar bem. tenho você e as amigas do meu lado, nada melhor do que isso.

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