Sandman

Sandman

A Família chama-se os Perpétuos, e tem sete menbros. Por ordem de idade – de “nascimento”, como veremos, não seria um termo apropriado – Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio (cujo nome costumava ser Deleite). Eles são os Perpétuos porque são estados da própria consciência humana, e não podem deixar de existir. Eles não “nasceram” porque, como a consciência, nada pode ser imaginado antes deles. O upanixade, a mais antiga e sutil das teologias, tem algo a dizer sobre isso.

Estar totalmente consciente é ter consciência do tempo e da linha do tempo: do destino. Saber isso é saber que o tempo deve ter um fim: imaginar a morte. Confrontados com a certeza da morte, nós sonhamos, imaginamos paraísos onde as coisas são bem assim: “A morte é a mãe da beleza”, escreveu Wallace Stevens. E todos os sonhos, todos os mitos, todas as estruturas que erguemos entre nós e o caos, simplesmente porque são coisas construídas, devem inevitavelmente ser destruídas. E nos voltamos, desesperados por nossa perda, para a destrutiva mas deliciosa alegria do momento: nós desejamos. Todo desejo é, obviamente, a esperança de obter uma satisfação impossível com a natureza básica das coisas, um deleite ilimitado. Então, desejar vem sempre antes de desesperar, perceber que o desejo de alegria é, afinal, somente o delírio de nossa auto-ilusão mortal de que o mundo é grande o bastante para se acomodar na mente.

{uma parte do préfacio de “Sandman: O livro dos sonhos”, terceira edição}

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s